Menino de Rua
Um dia eu partirei
Deixarei toda essa coisa deprimente
Que confunde a minha mente
E que não me deixa sorrir
Um dia eu partirei
Deixarei de amar o que amo
E amarei novas coisas
Um dia encontrarei
O meu sapato de cristal
Serei normal
Deixarei toda essa coisa deprimente
Que confunde a minha mente
E que não me deixa sorrir.
Jéssica Calegário
[10 anos]
sábado, 7 de novembro de 2009
O Espelho. A Alma. Os Olhos.
Estou apaixonada
Queima uma chama ardente
No meu peito
Meus olhos se perdem num infinito profundo
Meus olhos nunca se cansam
Nunca se desviam
Ficam apenas vidrados
Intactos
Parados e verdadeiros...
Cada gesto
Cada olhar
Cada movimento
Desse anjo me fascina
Como mágica
Acho que estou apaixonada.
Jéssica Calegário
[9 anos]
Queima uma chama ardente
No meu peito
Meus olhos se perdem num infinito profundo
Meus olhos nunca se cansam
Nunca se desviam
Ficam apenas vidrados
Intactos
Parados e verdadeiros...
Cada gesto
Cada olhar
Cada movimento
Desse anjo me fascina
Como mágica
Acho que estou apaixonada.
Jéssica Calegário
[9 anos]
O Espelho. A Alma. Os Olhos.
Poesia Para Tia Penha
Como queria ser o rouxinol
Que traz harmonia aos seus ouvidos
Transformando um sorriso lindo
Que extraordinário ver você sorrindo
Você e lua rompendo o dia
Prometendo a luminosa manhã
Você e o dia aceso, branco
Esbanjando tamanho encanto
Você é a fada dos contos mais lindos
A peça vital para a respiração das matas e pássaros
Você é a alegria que conduz
A luz do dia.
Jéssica Calegário
[8 anos]
Como queria ser o rouxinol
Que traz harmonia aos seus ouvidos
Transformando um sorriso lindo
Que extraordinário ver você sorrindo
Você e lua rompendo o dia
Prometendo a luminosa manhã
Você e o dia aceso, branco
Esbanjando tamanho encanto
Você é a fada dos contos mais lindos
A peça vital para a respiração das matas e pássaros
Você é a alegria que conduz
A luz do dia.
Jéssica Calegário
[8 anos]
O Espelho. A Alma. Os Olhos.
Etezinho Lulu
Sou etezinho Lulu
Sua carta recebi
Quero modificar coisas que encontro por aqui
Às vezes me pergunto porque
Porque tanto ser junto
Se só vivem para brigar
Não queria um planeta
Tão enorme como o seu
Só queria um terráqueo
Para ser amigo meu
Porque meu planeta
É tão pequenininho assim
Eu queria um amigo
Pra brincar junto a mim
Meu planeta é todo perfumado
Mas tem algo errado
Não tem amigo nenhum
Espero que responda
A carta que estou mandando
Pois um amigo está esperando.
Jéssica Calegário
[ 8 anos ]
Sou etezinho Lulu
Sua carta recebi
Quero modificar coisas que encontro por aqui
Às vezes me pergunto porque
Porque tanto ser junto
Se só vivem para brigar
Não queria um planeta
Tão enorme como o seu
Só queria um terráqueo
Para ser amigo meu
Porque meu planeta
É tão pequenininho assim
Eu queria um amigo
Pra brincar junto a mim
Meu planeta é todo perfumado
Mas tem algo errado
Não tem amigo nenhum
Espero que responda
A carta que estou mandando
Pois um amigo está esperando.
Jéssica Calegário
[ 8 anos ]
Apresentação
O Espelho. A Alma. Os Olhos.
A sessão é dedicada a textos que eu escrevi quando era criança. Quando criança, era feia. Ontem me olhei no espelho e me achei bonita.Quando criança, eu vivia rindo. Mas tanta coisa aconteceu que aos poucos eu fui parando de rir. Por um tempo sofri por não poder mais rir e na escola dizia que queria morrer. Sem saída começei a rir emcima do sofrimento. Foi quando meus olhos perderam o brilho. E hoje vejo que apesar de ser bonita não tenho brilho nos olhos. Talvez o que eu chamo de felicidade durou só até os nove anos. Toda vez que algo muito ruim acontecia eu esquecia, fingia que não havia de fato acontecido. Com o tempo não deu mais para fingir. E a felicidade foi indo embora, junto com o brilho dos meus olhos. A beleza simples se perdeu. Junto com a criança, que deu lugar a uma outra criança, com muito medo de ser uma criança de verdade...Com felicidade, daquelas que a gennte vê brincando nos parquinhos da cidade, uma felicidade quase bestial. Criança que acha o mundo lindo, que transforma uma gangorra num tobogã e uma rede em um navio pirata. Que ás vezes chora, mas ignora. Que ás vezes chora demais e não consegue mais sorrir, e vira adulto. Cedo ou tarde demais. Comigo foi aos nove. Isso se refletiu na minha poesia. O vocabulário se expandiu e poesias que eram para ser pequenas, belas e suscintas passaram a ser grandes, ornamentadas e melancólicas. No fundo já não eram poesias, eram gritos de sofrimento vindos da alma. Uma alma que não era mais pura e sim contaminada por rancores, inconformismos e ódios. A poesia real não é manchada pelo rancor, pelo feio, pela indecência. Só crianças fazem poesia. Quando digo criança não me refiro á idade e sim ao que eu perdi aos nove anos, e que ninca mais recuperarei. Hoje eu me olhei no espelho e vi uma menina bonita dos olhos vazios, mas eu daria tudo para ser aquela garotinha gorda , bochechuda, cheia de sardinhas e do cabelo despenteado...Como os olhos felizes.
Jéssica Calegário
A sessão é dedicada a textos que eu escrevi quando era criança. Quando criança, era feia. Ontem me olhei no espelho e me achei bonita.Quando criança, eu vivia rindo. Mas tanta coisa aconteceu que aos poucos eu fui parando de rir. Por um tempo sofri por não poder mais rir e na escola dizia que queria morrer. Sem saída começei a rir emcima do sofrimento. Foi quando meus olhos perderam o brilho. E hoje vejo que apesar de ser bonita não tenho brilho nos olhos. Talvez o que eu chamo de felicidade durou só até os nove anos. Toda vez que algo muito ruim acontecia eu esquecia, fingia que não havia de fato acontecido. Com o tempo não deu mais para fingir. E a felicidade foi indo embora, junto com o brilho dos meus olhos. A beleza simples se perdeu. Junto com a criança, que deu lugar a uma outra criança, com muito medo de ser uma criança de verdade...Com felicidade, daquelas que a gennte vê brincando nos parquinhos da cidade, uma felicidade quase bestial. Criança que acha o mundo lindo, que transforma uma gangorra num tobogã e uma rede em um navio pirata. Que ás vezes chora, mas ignora. Que ás vezes chora demais e não consegue mais sorrir, e vira adulto. Cedo ou tarde demais. Comigo foi aos nove. Isso se refletiu na minha poesia. O vocabulário se expandiu e poesias que eram para ser pequenas, belas e suscintas passaram a ser grandes, ornamentadas e melancólicas. No fundo já não eram poesias, eram gritos de sofrimento vindos da alma. Uma alma que não era mais pura e sim contaminada por rancores, inconformismos e ódios. A poesia real não é manchada pelo rancor, pelo feio, pela indecência. Só crianças fazem poesia. Quando digo criança não me refiro á idade e sim ao que eu perdi aos nove anos, e que ninca mais recuperarei. Hoje eu me olhei no espelho e vi uma menina bonita dos olhos vazios, mas eu daria tudo para ser aquela garotinha gorda , bochechuda, cheia de sardinhas e do cabelo despenteado...Como os olhos felizes.
Jéssica Calegário
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Poesias De Magnólia
O Mar
Doce imagem pintada
Pela mão dos anjos
Suave aparição
Que o mundo me negou
Incorporação
Perfeita das cores
De todo o universo
Que gira em seu olhar
Em você viajam
Barcos sem destino
Prontos para zarpar
Na forte correnteza
Do seu mar
Das Raízes até a
Planta dos meus Pés
Seus cabelos, fino ouro
Me perseguem
Sem cessar
Três cores se difundem
Nos teus olhos
E o castanho dessas águas
Me perseguem
Sem cessar
As linhas dos mais nobres
Arquitetos que contornam
O seu rosto me perseguem
Sem cessar
Doces Montanhas
Dos seus lábios
Brilham sob o
Água em luz
Força que me carrega
Pescador
E que me desconduz
Se é meu destino
Ser levado ao
Seu esplendor
Mesmo sabendo que o mundo
Me condenou a navegar
E não afundar no seu Amor.
Doce imagem pintada
Pela mão dos anjos
Suave aparição
Que o mundo me negou
Incorporação
Perfeita das cores
De todo o universo
Que gira em seu olhar
Em você viajam
Barcos sem destino
Prontos para zarpar
Na forte correnteza
Do seu mar
Das Raízes até a
Planta dos meus Pés
Seus cabelos, fino ouro
Me perseguem
Sem cessar
Três cores se difundem
Nos teus olhos
E o castanho dessas águas
Me perseguem
Sem cessar
As linhas dos mais nobres
Arquitetos que contornam
O seu rosto me perseguem
Sem cessar
Doces Montanhas
Dos seus lábios
Brilham sob o
Água em luz
Força que me carrega
Pescador
E que me desconduz
Se é meu destino
Ser levado ao
Seu esplendor
Mesmo sabendo que o mundo
Me condenou a navegar
E não afundar no seu Amor.
Magnólia é uma cantora,
compositora, poetisa e escritora brasileira.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Crônicas De Magnólia
A crônica a seguir NÃO TEM INTENÇÕES PRECONCEITUOSAS.
"Travecadas"
Uma reportagem de um a revista adolescente do mês de abril trouxe uma reportagem aparentemente banal, mas que me chamou a atenção. Era uma reportagem com base em dados estatísticos sobre que tipo de mulher os homens preferiam. Nela haviam todas as categorias; tipo de corpo, cor de olhos, cor de cabelo, formato de rosto, tipo de roupa etc.
Surpreendentemente, os homens entrevistados na reportagem alegaram preferir mulheres de cabelos castanhos e olhos castanhos.
Uma reportagem comum, mas que quebrava o esteriótipo deixado por Marilyn Monroe ao longo da década de 50, no longa "Os Homens Preferem As Loiras". O longa, importante representante da ideologia do "the american way of life" ajudou, juntamente com muitos outros produtos, a difusão das idéias imperialistas que vigoram até hoje.
Pessoas incultas são presas fáceis dessa grande armadilha criada pelos Estados Unidos e países ricos da Europa, principalmente os consumidores mais assíduos de produtos estéticos, notadamente mulheres.
Descolorantes e lentes de contato aumentaram vultuosamente as vendas, assim como tratamentos para clareamento dos dentes e da tez e as próteses enormes de silicone viraram notícia. Muitas mulheres viraram escravas de uma ideologia que elas mesmo desconhecem porque desde cedo faltavam as aulas de história e ciências sociais para pintarem as unhas, em um mundo onde o intelecto está sendo substituído por aplicações botulínicas. Todos os dias mulheres de países subdesenvolvidos modificam totalmente seu fenótipo e ao invés de se valorizarem, acabem ficando extremamente caricatas. Descolorações brutais em cabelos escurecidos além de danificaram são dificilmente manutenciadas, criando o efeito "peruca de palhaço". Olhos modificados por lentes raramente são convincentes devido ao atraso da medicina oculista nesse sentido e para completar a tez bronzeada da maioria das brasileiras acaba não condizendo com tonalidades claras de tinturas, criando quase sempre desarmonia no visual.
Não estou dizendo, de modo algum, que homens não gostam de mulheres bem tratadas. Mas gostam mais ainda de mulheres bem tratadas estilosamente, através da valorização de traços individuais, que não se caricaturam para seguir ideologias, que ao meu ver, são subversivas.
Sei que a reportagem da revista adolescente teve ótimo apelo informativo, mas algumas mulheres ainda irão olhar para ela superficialmente, vendo nada mais do que mais um novo esteriótipo a ser seguido e é bem capaz, não me falhe o exagero, que algumas loiras escureçam os cabelos.
Continuo seguindo os conselhos da minha avó; homens gostam de mulheres bonitas e não "travecadas".
Magnólia é uma cantora, compositora, poetisa e escritora brasileira.
"Travecadas"
Uma reportagem de um a revista adolescente do mês de abril trouxe uma reportagem aparentemente banal, mas que me chamou a atenção. Era uma reportagem com base em dados estatísticos sobre que tipo de mulher os homens preferiam. Nela haviam todas as categorias; tipo de corpo, cor de olhos, cor de cabelo, formato de rosto, tipo de roupa etc.
Surpreendentemente, os homens entrevistados na reportagem alegaram preferir mulheres de cabelos castanhos e olhos castanhos.
Uma reportagem comum, mas que quebrava o esteriótipo deixado por Marilyn Monroe ao longo da década de 50, no longa "Os Homens Preferem As Loiras". O longa, importante representante da ideologia do "the american way of life" ajudou, juntamente com muitos outros produtos, a difusão das idéias imperialistas que vigoram até hoje.
Pessoas incultas são presas fáceis dessa grande armadilha criada pelos Estados Unidos e países ricos da Europa, principalmente os consumidores mais assíduos de produtos estéticos, notadamente mulheres.
Descolorantes e lentes de contato aumentaram vultuosamente as vendas, assim como tratamentos para clareamento dos dentes e da tez e as próteses enormes de silicone viraram notícia. Muitas mulheres viraram escravas de uma ideologia que elas mesmo desconhecem porque desde cedo faltavam as aulas de história e ciências sociais para pintarem as unhas, em um mundo onde o intelecto está sendo substituído por aplicações botulínicas. Todos os dias mulheres de países subdesenvolvidos modificam totalmente seu fenótipo e ao invés de se valorizarem, acabem ficando extremamente caricatas. Descolorações brutais em cabelos escurecidos além de danificaram são dificilmente manutenciadas, criando o efeito "peruca de palhaço". Olhos modificados por lentes raramente são convincentes devido ao atraso da medicina oculista nesse sentido e para completar a tez bronzeada da maioria das brasileiras acaba não condizendo com tonalidades claras de tinturas, criando quase sempre desarmonia no visual.
Não estou dizendo, de modo algum, que homens não gostam de mulheres bem tratadas. Mas gostam mais ainda de mulheres bem tratadas estilosamente, através da valorização de traços individuais, que não se caricaturam para seguir ideologias, que ao meu ver, são subversivas.
Sei que a reportagem da revista adolescente teve ótimo apelo informativo, mas algumas mulheres ainda irão olhar para ela superficialmente, vendo nada mais do que mais um novo esteriótipo a ser seguido e é bem capaz, não me falhe o exagero, que algumas loiras escureçam os cabelos.
Continuo seguindo os conselhos da minha avó; homens gostam de mulheres bonitas e não "travecadas".
Magnólia é uma cantora, compositora, poetisa e escritora brasileira.
Crônicas De Magnólia
As Rugas Do Cérebro
É extremamente irritante para mim quando penso na quantidade de vícios estúpidos que as pessoas, especialmente as de mais idade, mantém nos dias contemporâneos, vícios estes que se disfarçam sob o esteriótipo de bons costumes, ou para os mais flexíveis, sob o esteriótipo de tradição.
Como o leitor já analizou milhares de conclusões iguais a esta, seja em jornais ou revistas de auto-ajuda, este texto lhe parecerá perca de tempo, mas sinto desapontá-lo; "vícios estúpidos contemporâneos" não é a pauta a ser discutida neste texto, na verdade é apenas um desses vícios que discutirei, em função de ser um dos mais importantes, e que, infelizmente, gera pouquíssimas discussões, na minha opinião.
A idéia de discutir este assunto partiu de um relato de uma colega, Ana, durante seus tempos de escola, que era diferente da minha. Permita-me explicar-vos nas linhas a seguir.
Estava ela sentada em sua carteira cheia de corretivo e, como a aula estava muito chata, resolveu conversar com uma amiga da carteira anterior, que estava conversando com a amiga da carteira anterior a dela, e assim por diante. Era dois mil e seis e elas conversavam sobre o escândalo na praia envolvendo a Cicarelli. Ana resolveu participar.
Passados quatro segundos, o professor chamou a atenção do grupo e elas, como boas alunas abaixaram a cabeça e fizeram caras de tristes. E como de costume, deu-se início a habitual advertência, lembrando, em respeito a Ana, que ela não era contra advertências em sala de aula, embora vivesse reclamando a respeito do repertório, que deveria ser mais variado. E o discurso foi:
"Não é possível!Duas horas preparando essa droga de aula e vocês "não tão" nem aí!!"
E como de praxe, ele recitou o que ela chamou de "Rotina Do Bom Professor". Que era mais ou menos assim:
"Eu acordei as seis horas da manhã, escovei os dentes correndo, mal tive tempo de tomar café, levei meus dois filhos para a escola, enfrentei trânsito..." E por aí vai, até ele chegar ás sete horas da manhã na escola.
É extremamente irritante para mim quando penso na quantidade de vícios estúpidos que as pessoas, especialmente as de mais idade, mantém nos dias contemporâneos, vícios estes que se disfarçam sob o esteriótipo de bons costumes, ou para os mais flexíveis, sob o esteriótipo de tradição.
Como o leitor já analizou milhares de conclusões iguais a esta, seja em jornais ou revistas de auto-ajuda, este texto lhe parecerá perca de tempo, mas sinto desapontá-lo; "vícios estúpidos contemporâneos" não é a pauta a ser discutida neste texto, na verdade é apenas um desses vícios que discutirei, em função de ser um dos mais importantes, e que, infelizmente, gera pouquíssimas discussões, na minha opinião.
A idéia de discutir este assunto partiu de um relato de uma colega, Ana, durante seus tempos de escola, que era diferente da minha. Permita-me explicar-vos nas linhas a seguir.
Estava ela sentada em sua carteira cheia de corretivo e, como a aula estava muito chata, resolveu conversar com uma amiga da carteira anterior, que estava conversando com a amiga da carteira anterior a dela, e assim por diante. Era dois mil e seis e elas conversavam sobre o escândalo na praia envolvendo a Cicarelli. Ana resolveu participar.
Passados quatro segundos, o professor chamou a atenção do grupo e elas, como boas alunas abaixaram a cabeça e fizeram caras de tristes. E como de costume, deu-se início a habitual advertência, lembrando, em respeito a Ana, que ela não era contra advertências em sala de aula, embora vivesse reclamando a respeito do repertório, que deveria ser mais variado. E o discurso foi:
"Não é possível!Duas horas preparando essa droga de aula e vocês "não tão" nem aí!!"
E como de praxe, ele recitou o que ela chamou de "Rotina Do Bom Professor". Que era mais ou menos assim:
"Eu acordei as seis horas da manhã, escovei os dentes correndo, mal tive tempo de tomar café, levei meus dois filhos para a escola, enfrentei trânsito..." E por aí vai, até ele chegar ás sete horas da manhã na escola.
Ana sentiu-se nervosa. E ele continuava a falar ininterruptamente:
"...Vocês me respeitem; eu não sou pai de vocês, eu não sou avô de vocês, eu não sou tio de vocês..."
E continuou, até a árvore genealógica secar.
"Além do mais eu sou muito mais velho do que vocês. A mãe de vocês não "te deram" educação? Não ensinaram vocês a respeitar os mais velhos?"
Aí, Ana, que naquela época tinha espírito revolucionário, além, é claro, de estar totalmente intoxicada por aquele discurso rotineiro sem o pingo de criatividade, respondeu:
"Descupe, professor, mas se velhice fosse sinal de respeito e bom caráter Fernando Collor não estaria chegando aos sessenta anos".
A turma toda começou a rir enquanto o professor olhava Ana, notadamente raivoso. Confessei a Ana, durante a conversa que achei errada a atitude dela ao responder diretamente o professor de forma tão dura, que isso não correspondia com seus preceitos de moral e que não há nada pior que ser constrangido publicamente, mas não tirei dela o direito de afirmar que a essência de sua resposta era correta, pois para mim caráter nunca esteve e nunca estará na pele enrrugada ou nos cabelos brancos e sim nas atitudes tomadas pelas pessoas, sejam elas idosas, adolescentes ou crianças.
Você cederia o sua cadeira no ônibus para um velhinho bigogudo chamado Adolf Hitler? A menos, é claro, que ele ele estivesse apontando uma bazuca para a sua cabeça!
Pessoas vivem e morrem e durante o tempo em que vivem acontecem coisas boas e ruins, em proporções variadas de pessoa para pessoa (o porque ninguém sabe). Precisamos tirar o melhor de todo o pior que nos é proporcionado na vida e fazer disso uma busca diária, independente desses estereótipos ridículos e idade. Otimize a vida, otimize o tempo!
Tudo, tudo, tudo na vida é belo, desde a lágrima que escorre, desde o sorriso que se abre. Tire o bom destas duas faces. Assim, você se tornará um velho sábio. Saberá amar e aceitar o próximo, porque brigar dá trabalho demais e é desnecessário comer a parte podre da maçã, enquanto se pode comer a parte boa e descartar a podre. Otimize a vida, otimize o tempo!
Por fim, gostaria de contar ao leitor um traço que prezo muito em minha personalidade: para mim, as únicas rugas que definem uma pessoa são as do cérebro, e não as do rosto.
Magnólia é uma cantora, compositora, poetisa e escritora brasileira.
"...Vocês me respeitem; eu não sou pai de vocês, eu não sou avô de vocês, eu não sou tio de vocês..."
E continuou, até a árvore genealógica secar.
"Além do mais eu sou muito mais velho do que vocês. A mãe de vocês não "te deram" educação? Não ensinaram vocês a respeitar os mais velhos?"
Aí, Ana, que naquela época tinha espírito revolucionário, além, é claro, de estar totalmente intoxicada por aquele discurso rotineiro sem o pingo de criatividade, respondeu:
"Descupe, professor, mas se velhice fosse sinal de respeito e bom caráter Fernando Collor não estaria chegando aos sessenta anos".
A turma toda começou a rir enquanto o professor olhava Ana, notadamente raivoso. Confessei a Ana, durante a conversa que achei errada a atitude dela ao responder diretamente o professor de forma tão dura, que isso não correspondia com seus preceitos de moral e que não há nada pior que ser constrangido publicamente, mas não tirei dela o direito de afirmar que a essência de sua resposta era correta, pois para mim caráter nunca esteve e nunca estará na pele enrrugada ou nos cabelos brancos e sim nas atitudes tomadas pelas pessoas, sejam elas idosas, adolescentes ou crianças.
Você cederia o sua cadeira no ônibus para um velhinho bigogudo chamado Adolf Hitler? A menos, é claro, que ele ele estivesse apontando uma bazuca para a sua cabeça!
Pessoas vivem e morrem e durante o tempo em que vivem acontecem coisas boas e ruins, em proporções variadas de pessoa para pessoa (o porque ninguém sabe). Precisamos tirar o melhor de todo o pior que nos é proporcionado na vida e fazer disso uma busca diária, independente desses estereótipos ridículos e idade. Otimize a vida, otimize o tempo!
Tudo, tudo, tudo na vida é belo, desde a lágrima que escorre, desde o sorriso que se abre. Tire o bom destas duas faces. Assim, você se tornará um velho sábio. Saberá amar e aceitar o próximo, porque brigar dá trabalho demais e é desnecessário comer a parte podre da maçã, enquanto se pode comer a parte boa e descartar a podre. Otimize a vida, otimize o tempo!
Por fim, gostaria de contar ao leitor um traço que prezo muito em minha personalidade: para mim, as únicas rugas que definem uma pessoa são as do cérebro, e não as do rosto.
Magnólia é uma cantora, compositora, poetisa e escritora brasileira.
Crônicas De Magnólia
A Mancha
Durante uma festa comemorativa do colegial, Renata e sua família, devido ao limitado espaço, dividiam mesa com um casal de meia-idade. Após certo tempo, travaram-se conversas banais entre os componentes da mesa e Renata, sempre soturna e distante, não prestava a devida atenção, até que o senhor da mesa disse algo a seu respeito, indiretamente: "Nossa, como sua filha é bonita...". Como o comentário não foi feito diretamente a ela, não se achou no dever de responder. A mãe se encheu de orgulho enquanto a senhora disfarçava o constrangimento em um sorrisinho sarcástico.
O senhor repetiu o comentário diversas vezes e a olhou furtivamente deixando-a constrangida a ponto de sair da mesa e ir conversar com uma colega. Quando voltou, o casal já havia saído e a mãe de Renata, animada com aquele sorriso que tenta emitir uma alegria que os olhos já não conseguem transpor, disse cheia de orgulho: "Filha, você não acredita no que eu ouvi!Quando você saiu da mesa aquele senhor te encheu de elogios, disse que você era linda e que meninas como você...Bem... - parou ela com medo reação de Renata. "O quê, mãe?" - respondeu ela, constrangida com o intusiasmo da minha mãe por ela ser menor de idade e estar recebendo investidas de um velho sem escrúpulos.A mãe continuou: ..."Ele disse que eu devia casar você com um velho rico o mais rápido o possível. Não é maravilhoso?!" - disse ela se desmanchando em risos. Renata respondeu perplexa, se sentindo um produto, extremamente humilhada e diminuída: " E você deixou ele dizer isso?". A mãe respondeu, com seu semblante marcado pelas amarguras da vida: "O que é que tem isso?Você é bonita, tem mais que se casar com um velho rico que te sustente".
Renata não quis argumentar. Não valia a pena, conhecendo sua mãe como ela conhecia. Todos nós, quando jovens, acreditamos na decência do mundo e das pessoas. Fazemos do mundo um faroeste e separamos os vilões e mocinhos. Nós, é claro, somos os mocinhos. Os vilões são geralmente as pessoas fúteis, os meios de comunicação em massa e o governo. Nos aliamos a pessoas boas e fazemos projetos, que são grandes ou pequenos. Descobrimos que as pessoas boas não eram tão boas e taxamos de vilões. Fazemos o certo porque é bonito, o irreverente porque é revolucionário, mas quando crescemos os motivos passam a ser outros e começamos a analizar causa e consequência. E pouco a pouco vamos sendo manchados por um realismo sarcástico, com fortes doses de inconformismo. O inconformismo de ver injustiças e ficar calado. O inconformismo de não poder ser quem é em qualquer ocasião e para os menos afortunados, o inconformismo de não se casar com quem bem entender.A vida perde as flores e ganha equações. E nós perdemos nós mesmos.
Aquela foi a primeira "mancha" de Renata. O primeiro conflito com o universo sujo que ela habitava. Ela descobriu que não existiam vilões nem mocinhos, e sim pessoas cheias de manchas iguais as dela, e a cada dia que se passou os olhos dela ficavam mais astutos para o mundo e menos inocentes para ela mesma.
Durante uma festa comemorativa do colegial, Renata e sua família, devido ao limitado espaço, dividiam mesa com um casal de meia-idade. Após certo tempo, travaram-se conversas banais entre os componentes da mesa e Renata, sempre soturna e distante, não prestava a devida atenção, até que o senhor da mesa disse algo a seu respeito, indiretamente: "Nossa, como sua filha é bonita...". Como o comentário não foi feito diretamente a ela, não se achou no dever de responder. A mãe se encheu de orgulho enquanto a senhora disfarçava o constrangimento em um sorrisinho sarcástico.
O senhor repetiu o comentário diversas vezes e a olhou furtivamente deixando-a constrangida a ponto de sair da mesa e ir conversar com uma colega. Quando voltou, o casal já havia saído e a mãe de Renata, animada com aquele sorriso que tenta emitir uma alegria que os olhos já não conseguem transpor, disse cheia de orgulho: "Filha, você não acredita no que eu ouvi!Quando você saiu da mesa aquele senhor te encheu de elogios, disse que você era linda e que meninas como você...Bem... - parou ela com medo reação de Renata. "O quê, mãe?" - respondeu ela, constrangida com o intusiasmo da minha mãe por ela ser menor de idade e estar recebendo investidas de um velho sem escrúpulos.A mãe continuou: ..."Ele disse que eu devia casar você com um velho rico o mais rápido o possível. Não é maravilhoso?!" - disse ela se desmanchando em risos. Renata respondeu perplexa, se sentindo um produto, extremamente humilhada e diminuída: " E você deixou ele dizer isso?". A mãe respondeu, com seu semblante marcado pelas amarguras da vida: "O que é que tem isso?Você é bonita, tem mais que se casar com um velho rico que te sustente".
Renata não quis argumentar. Não valia a pena, conhecendo sua mãe como ela conhecia. Todos nós, quando jovens, acreditamos na decência do mundo e das pessoas. Fazemos do mundo um faroeste e separamos os vilões e mocinhos. Nós, é claro, somos os mocinhos. Os vilões são geralmente as pessoas fúteis, os meios de comunicação em massa e o governo. Nos aliamos a pessoas boas e fazemos projetos, que são grandes ou pequenos. Descobrimos que as pessoas boas não eram tão boas e taxamos de vilões. Fazemos o certo porque é bonito, o irreverente porque é revolucionário, mas quando crescemos os motivos passam a ser outros e começamos a analizar causa e consequência. E pouco a pouco vamos sendo manchados por um realismo sarcástico, com fortes doses de inconformismo. O inconformismo de ver injustiças e ficar calado. O inconformismo de não poder ser quem é em qualquer ocasião e para os menos afortunados, o inconformismo de não se casar com quem bem entender.A vida perde as flores e ganha equações. E nós perdemos nós mesmos.
Aquela foi a primeira "mancha" de Renata. O primeiro conflito com o universo sujo que ela habitava. Ela descobriu que não existiam vilões nem mocinhos, e sim pessoas cheias de manchas iguais as dela, e a cada dia que se passou os olhos dela ficavam mais astutos para o mundo e menos inocentes para ela mesma.
Magnólia é uma cantora,
compositora, poetisa e escritora brasileira.
Crônicas de Magnólia
...Aaaatchin!
Toda vez que entro em uma sala de Ensino Médio e vejo algum aluno de aparência cansada, cheio de olheiras e na maioria das vezes com sono, compreendo exatamente o que ele está vivendo. E compreendo, embora agora me falte a modéstia, as causas e as possíveis soluções para os problemas daquele jovem.
Um dia, ouvi de um amigo uma frase que passou a ser a mais importante da minha vida. Ela dizia: " O segredo de todo e qualquer sucesso está na auto confiança". Na época, achei a frase sem sentido, mas com o decorrer dos anos ela pareceu-me brilhante. Porque talvez as raízes da dificuldade em obter sucesso no aprendizado ou em qualquer outro objetivo sejam mais profundas do que pensam a maioria dos educadores e autoridades em educação.
Analizar o passado emocional e o perfil psicológico do estudante é um caminho fundamental para se começar a explorar a fundo suas potencialidades. Analizar a capacidade de um estudante de qualquer ciência apenas pelos rotineiros testes de Q.I. soa para mim quase que um procedimento arcaico, levando em conta as recentes descobertas psicanalíticas e a constante afirmação da influência do emocional nas ações humanas, principalmente às ligadas ao intelecto.
Jovens desestabilizados psicologicamente, vítimas de pressão emocional, filhos de pais incapazes de oferecer-lhes direcionamento nos caminhos da cultura e da vida social dificilmente atenderão às expectativas de uma sala de aula, tirando raras excessões.
Deve ser difícil para alguém, principalmente se for jovem, pensar em livros desde cedo quando vê-se os pais assistindo T.V., bebendo ou dormindo em tempo integral. Ou ouvindo todos os dias que sonhos grandes foram feitos para "pessoas grandes" e não para ele.
Portanto, qundo vejo aquele aluno, eu não o olho com olhos superficiais. Eu não vejo preguiça, falta de interesse, nem uso o termo 'malandragem", bastante usado por educadores limitados. Eu vejo problema que dificilmente serão contornados sem intensas doses de profissionalismo por parte dos educadores em geral. Os argumentos usados durante este texto servem para reforçar o fato de que a psicanálise está intimamente atrelada às questões educacionais, além de que deve haver por parte das instituições formadoras de educadores mais medidas direcionadas ao assunto psicanálise-educação, o que, sem sombra de dúvidas, melhorará a vida de milhares de alunos de olhos fundos e alérgicos à Quimica.
Magnólia é uma cantora, compositora, poetisa e escritora brasileira.
Toda vez que entro em uma sala de Ensino Médio e vejo algum aluno de aparência cansada, cheio de olheiras e na maioria das vezes com sono, compreendo exatamente o que ele está vivendo. E compreendo, embora agora me falte a modéstia, as causas e as possíveis soluções para os problemas daquele jovem.
Um dia, ouvi de um amigo uma frase que passou a ser a mais importante da minha vida. Ela dizia: " O segredo de todo e qualquer sucesso está na auto confiança". Na época, achei a frase sem sentido, mas com o decorrer dos anos ela pareceu-me brilhante. Porque talvez as raízes da dificuldade em obter sucesso no aprendizado ou em qualquer outro objetivo sejam mais profundas do que pensam a maioria dos educadores e autoridades em educação.
Analizar o passado emocional e o perfil psicológico do estudante é um caminho fundamental para se começar a explorar a fundo suas potencialidades. Analizar a capacidade de um estudante de qualquer ciência apenas pelos rotineiros testes de Q.I. soa para mim quase que um procedimento arcaico, levando em conta as recentes descobertas psicanalíticas e a constante afirmação da influência do emocional nas ações humanas, principalmente às ligadas ao intelecto.
Jovens desestabilizados psicologicamente, vítimas de pressão emocional, filhos de pais incapazes de oferecer-lhes direcionamento nos caminhos da cultura e da vida social dificilmente atenderão às expectativas de uma sala de aula, tirando raras excessões.
Deve ser difícil para alguém, principalmente se for jovem, pensar em livros desde cedo quando vê-se os pais assistindo T.V., bebendo ou dormindo em tempo integral. Ou ouvindo todos os dias que sonhos grandes foram feitos para "pessoas grandes" e não para ele.
Portanto, qundo vejo aquele aluno, eu não o olho com olhos superficiais. Eu não vejo preguiça, falta de interesse, nem uso o termo 'malandragem", bastante usado por educadores limitados. Eu vejo problema que dificilmente serão contornados sem intensas doses de profissionalismo por parte dos educadores em geral. Os argumentos usados durante este texto servem para reforçar o fato de que a psicanálise está intimamente atrelada às questões educacionais, além de que deve haver por parte das instituições formadoras de educadores mais medidas direcionadas ao assunto psicanálise-educação, o que, sem sombra de dúvidas, melhorará a vida de milhares de alunos de olhos fundos e alérgicos à Quimica.
Magnólia é uma cantora, compositora, poetisa e escritora brasileira.
Apresentação
Olá, queridos.
Este blog foi criado por Jéssica Calegário.
Nele alguns trabalhos inéditos.
Espero que vocês curtam...
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