sexta-feira, 29 de julho de 2011

Críticas De Magnólia


"O Escritor Fantasma"

Adam Lang, caricatura de Tony Blair, é um político bonitinho e ordinário, tipo Collor.
Adam contrata um escritor fantasma para terminar sua biografia. Um escritor fantasma é um escritor que faz a obra, mas esta leva como autor outra pessoa.
Mesmo sabendo que o primeiro escritor fantasma havia morrido por causas um pouco estranhas, e muitas outras pistas de que não era uma boa jogada para o escritor entrar no meio dessa maracutaia, ele aceita o trabalho.
Em vez de escrever o livrinho e voltar vivo para sua casinha, ele começa a cometer os mesmos erros do escritor anterior : pesquisar a real história por trás de um político já em início de crise. Eu não faria issso, esse escritor deve ser doido kkkkkkk.
Denúncias de crimes contra a humanidade, em associação com as forças secretas dos Estados Unidos estão na mídia a todo momento, comprometendo Lang . Entre torturas de terroristas e ataques à bomba, que foram descobertos pelo escritor fantasma no site do Google (sim, você leu certo), se estabelece uma alusão claríssima à parceria entre Blair e Bush para atacar o Iraque, em uma guerra injusta, capitalista e que fere os direitos humanos.
O autor original da trama, que me foge o nome, e Polanski controem a imagem de Adam como um "ex pegador popular" de Cambrigde, de cultura política bastante limitada, ou seja: mauricinho burro que vive na academia, e que usa de tramóias políticas, principalmente de seus acessores, para se manter no poder.
Nunca conheci Tony Blair e não sei se ele era isso na vida real, mas se eu fosse ele iria estar puto. De fato, em 2007, ele misturou religião e política para levantar sua popularidade pós-Iraque, e eu achei muita cara de pau.
Apesar de o clímax do filme ter sido na verdade um anti-clímax, ninguém do cinema disse "puta que pariu" como em "Inverno Da Alma", pois no fim de "O Escritor Fantasma" tudo já estava explicadinho e a roda de suspense tinha se fechado.
O roteiro é impecável, isso é provado pelos diálogos inteligentíssimos, de grande efeito informativo, com ironias e sarcasmos de altíssimo nível, e o mais importante: sucintos e objetivos.
A trilha de Alexandre Desplat é incrível, brilhante, de aplaudir de pé! Conseguiu passar de maneira única uma atmosfera totalmente assustadora, de gelar os pés e a alma, a ponto de eu imaginar dois filmes diferentes: com a trilha e sem a trilha.
Há algo impalpável nos filmes de Polanski que fazem os personagens parecerem alegorias, não sei se são as câmera que fazem aparecer de pertinho detalhes particulares dos personagens, como metade de um ombro com um colar, nucas e cabelo, pedaços de ternos que sempre ocupam uma tela inteira, mas acredito que seja.
Um filme nota 10, que todos devem ver.






Magnólia é uma cantora, compositora, poetisa e escritora brasileira.



                                                                                                     

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